As causas e o tratamento da osteoporose
Redação
A osteoporose é uma doença metabólica caracterizada pela diminuição da massa óssea e pela deterioração da sua microarquitetura, com consequente aumento da fragilidade óssea e da susceptibilidade a fraturas. Estima-se que aproximadamente 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida.

A osteoporose é uma condição caracterizada pela diminuição da massa óssea e deterioração da microarquitetura do osso, resultando em aumento da fragilidade óssea e risco de fraturas. As causas da osteoporose podem ser classificadas em primárias e secundárias.
A primária envolve o envelhecimento que é um fator significativo, pois a perda de massa óssea aumenta com a idade. Na menopausa há a diminuição dos níveis de estrogênio nas mulheres após a menopausa contribui para a perda óssea.
A osteoporose secundária envolve as doenças como hipertiroidismo, diabetes, e doenças autoimunes podem contribuir para a osteoporose. O uso prolongado de glicocorticoides e outros medicamentos podem afetar o metabolismo ósseo.
Os fatores de estilo de vida, como sedentarismo, tabagismo, e consumo excessivo de álcool podem influenciar. O tratamento da osteoporose visa reduzir o risco de fraturas e melhorar a saúde óssea.
As abordagens incluem as medidas não medicamentosas, como as atividades que promovem a força e o equilíbrio são essenciais para reduzir o risco de quedas e fraturas. A ingestão adequada de cálcio (1.000 a 1.200 mg/dia) e vitamina D é fundamental para a saúde óssea.
O tratamento medicamentoso incluem os bifosfonatos, medicamentos como alendronato e risedronato são frequentemente utilizados para aumentar a densidade mineral óssea (DMO) e reduzir o risco de fraturas. O ácido zoledrônico, administrado por via intravenosa, é indicado para pacientes com osteoporose grave ou que não toleram bifosfonatos orais.
O raloxifeno, um modulador seletivo do receptor de estrogênio, pode ser utilizado em mulheres na pós-menopausa e o romosozumabe é indicado para mulheres com osteoporose grave e falha terapêutica a outros tratamentos. A densitometria óssea deve ser realizada inicialmente e repetida a cada 1 a 2 anos para monitorar a eficácia do tratamento.
A osteoporose é uma condição que requer uma abordagem multidisciplinar para o seu manejo, envolvendo tanto intervenções não medicamentosas quanto medicamentosas. A adesão ao tratamento e o monitoramento regular são cruciais para o sucesso do manejo da doença.
Segundo o MS-PCDT: Osteoporose, além das fraturas, as complicações clínicas da osteoporose incluem dor crônica, deformidade, redução da mobilidade, piora da qualidade de vida e aumento da mortalidade. A fratura de quadril é considerada a mais grave, com aumento da taxa de mortalidade em 12% a 20% nos dois anos seguintes à fratura.
Além da fratura de quadril, fraturas vertebrais e não vertebrais também podem ocorrer e trazer limitações físicas, interferindo na qualidade de vida do paciente. A presença de determinadas condições nas primeiras décadas de vida, capazes de inter ferir na saúde óssea pode determinar o risco de osteoporose de um indivíduo.
Durante o crescimento e desenvolvimento, o esqueleto passa por um processo complexo de formação e reabsorção óssea, que inicia na vida fetal e continua até a fusão epifisária ao final da segunda década de vida, determinando a forma adulta dos ossos. A massa óssea é adquirida lentamente durante a infância, seguida por uma aceleração significativa nos primeiros anos de puberdade.
O pico de aquisição de massa óssea usualmente ocorre aos 12 anos em meninas e aos 14 anos em meninos, logo após o pico de crescimento. Nos anos seguintes, até o final da adolescência, cerca de 95% da massa óssea adulta estará formada.
Estima-se que aproximadamente 60% a 80% da massa óssea seja determinada geneticamente, enquanto fatores ambientais e hormônios sexuais modulam os 20% restantes. Entre os fatores ambientais que podem afetar o pico de massa ó ssea estão ingestão de cálcio, níveis de vitamina D, prática de atividade física, medicamentos e comorbidades.
A otimização do pico de massa óssea, com condições ambientais favoráveis, pode prevenir ou retardar o desenvolvimento de osteoporose nos anos seguintes. Devido à prevalência elevada, a osteoporose representa um sério problema de saúde pública.
Estima-se que afete mais de 200 milhões de pessoas no mundo e, aproximadamente, 30% das mulheres nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, dados epidemiológicos do estudo BRAZOS (Brazilian Osteoporosis Study), que incluiu 2.420 indivíduos acima de 40 anos oriundos de várias regiões do país, mostraram que fraturas de baixo impacto foram identificadas em 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens avaliados, sendo os principais sítios de fratura o antebraço distal (30%), quadril (12%), úmero (8%), costelas (6%) e coluna (4%).
Não foram observadas diferenças significativas em relação ao gênero e à classe social, mas houve maior incidência de fraturas nas mulheres das regiões metropolitanas quando comparada às da área rural. A maioria dos pacientes com fratura osteoporótica prévia desconhecia a condição de fragilidade óssea associada ao diagnóstico de osteoporose.
Estudo conduzido em São Paulo, em indivíduos com mais de 65 anos, mostrou a incidência de fraturas vertebrais morfométricas em 17,1% das mulheres e 13,2% dos homens, das quais 7,6% e 5,4% eram moderadas a graves, respectivamente. Nessa população, foi observada a associação entre fraturas vertebrais e piores escores de qualidade de vida, particularmente no domínio de desempenho físico.
Em uma cidade do sul do Brasil, uma análise de todas as internações por fratura de quadril entre 2010 e 2012 verificou uma incidência anual de 268 casos/100.000 mulheres e 153 casos/100.000 homens, com taxa de mortalidade hospitalar de 7,5%, chegando a 25% após 12 meses seguintes ao evento. A osteoporose pode ser classificada em primária ou secundária, conforme sua etiologia.
A forma primária, mais comum, é diagnosticada na ausência de doenças ou outras condições associadas à fragilidade óssea. Nesses casos, a perda de massa óssea está relacionada ao processo de envelhecimento ou pós-menopausa.