O planejamento de cinco anos morreu ou como o ciclo de 90 dias salva a estratégia
Redação
Planejar deixou de ser prever o futuro e passou a ser se preparar para lidar com o imprevisível. Quando o mundo muda a cada semana, o plano que não muda junto vira uma âncora.

Pedro Signorelli –
Durante muito tempo, o planejamento estratégico foi quase um exercício de futurologia corporativa. As empresas se reuniam por meses para desenhar planos de cinco anos, cheios de projeções, gráficos e certezas.
Era bonito no powerpoint, mas dificilmente sobrevivia ao primeiro ano de execução. O problema é que o mundo deixou de operar nesse ritmo.
O que antes mudava em uma década, agora muda em um trimestre. A guerra na Ucrânia, a pandemia, as disrupções tecnológicas e o avanço da inteligência artificial mostraram que o longo prazo é um luxo que quase ninguém pode ter.
Vivemos em um ambiente BANI (brittle, anxious, nonlinear, incomprehensible - frágil, ansioso, não linear e incompreensível) em que qualquer vento global pode mudar o jogo da noite para o dia. Diante disso, insistir em planos rígidos e lineares é quase um ato de teimosia.
A estratégia não pode mais ser um documento; ela precisa ser um sistema vivo de constante avaliação. E é justamente aqui que ferramentas que operam em ciclos curtos, e, em particular, o uso bem aplicado de OKR em janelas de 90 dias, se tornam mais do que...