Os sintomas médicos da dispneia
Redação
A dispneia, conhecida vulgarmente por falta de ar, é a sensação de que não se está a receber ar suficiente nos pulmões. Este problema de saúde pode resultar de um esforço mais intenso, ser causado por se estar em um local de elevada altitude ou pode ser um sintoma de infecção e doença pulmonar ou cardíaca.

A dispneia é um sintoma caracterizado pela sensação subjetiva de desconforto respiratório, traduzida literalmente como respiração ruim. Ela indica ameaças potenciais à homeostase e frequentemente induz respostas de adaptação, como afastar-se de um ambiente, repousar ou procurar cuidados médicos.
Segundo a American Thoracic Society, a dispneia é definida como experiência subjetiva de desconforto respiratório que consiste em sensações qualitativamente distintas, variáveis em sua intensidade. Ela pode ser desencadeada por esforços físicos, alterações posturais (como ortopneia, que ocorre ao deitar), ou surgir de forma paroxística, como na dispneia paroxística noturna.
É um sintoma comum, presente em até 20% da população geral, e está associada a desfechos desfavoráveis, incluindo óbito. A avaliação clínica da dispneia envolve a história detalhada do paciente, incluindo início, modo de instalação, duração, fatores desencadeantes, qualidade da sensação, número de crises, fatores acompanhantes, fatores que melhoram o sintoma e intensidade, que pode ser avaliada por escalas específicas.
Escalas usadas para quantificar a dispneia incluem a Escala do Medical Research Council (mMRC), a escala Dispneia-12 e o Perfil de Dispneia Multidimensional (PDM). A intensidade da dispneia pode ser avaliada em tempo real por escalas analógico-visual, numérica e a escala de Borg modificada.
A dispneia resulta da ativação de sistemas sensoriais envolvidos na respiração, com processamento central em áreas corticolímbicas do cérebro. A teoria da dissociação neuromecânica sugere que a dispneia surge da discrepância entre a atividade dos neurônios motores respiratórios e a informação sensorial aferente.
Mecanismos envolvidos incluem estímulos de receptores pulmonares, quimiorreceptores, prejuízo das trocas gasosas, hipoxemia, hipercapnia, entre outros.
A dispneia pode ocorrer como evento adverso em pacientes tratados com ticagrelor, sendo relatada em cerca de 13,8% a 14,2% dos pacientes nos estudos PLATO e PEGASUS, geralmente de intensidade leve a moderada e frequentemente resolvida sem interrupção do tratamento. Pacientes com dispneia prévia, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), DPOC ou asma tendem a apresentar maior incidência.
Não há evidência de que a dispneia associada ao ticagrelor seja devido ao agravamento de doença cardíaca ou pulmonar. Em linhas gerais, apesar de a dispneia ser um problema relativamente comum, a fisiopatologia da sensação de respiração desconfortável é pouco compreendida.
Diferentemente de outros tipos de estímulos nocivos, não existem receptores especializados na dispneia, embora estudos de RM tenham identificado algumas áreas específicas no mesencéfalo que podem mediar a percepção da dispneia. A experiência de dispneia provavelmente resulta de uma complexa interação entre a estimulação dos quimiorreceptores, as alterações mecânicas na respiração, anormalidades na função cardíaca ou no retorno venoso e a percepção destas anormalidades pelo sistema nervoso central.
Alguns autores descreveram o desequilíbrio entre a estimulação neurológica e as alterações mecânicas no pulmão e na parede torácica como um desacoplamento neuromecânico. Os sinais e sintomas de condições com risco de a vida, como isquemia do miocárdio e embolia pulmonar, podem ser inespecíficos.
Além disso, a gravidade dos sintomas nem sempre é proporcional à gravidade da causa (p. ex., embolia pulmonar em uma pessoa saudável e condicionada pode causar apenas uma leve dispneia). Assim, é prudente um alto grau de suspeição para essas condições comuns.