O diagnóstico clínico da asma
Redação
A asma é uma doença inflamatória crónica dos brônquios que se inicia, habitualmente, na infância, mas que pode surgir em qualquer idade. Os doentes com asma, se estiverem controlados, podem fazer as suas atividades quer profissionais quer desportivas, sem qualquer limitação. O tratamento adequado é fundamental para uma melhoria da qualidade de vida.

A asma é uma doença respiratória caracterizada por sintomas variáveis e obstrução do fluxo aéreo, que pode ser confirmada por avaliação da função pulmonar, preferencialmente por espirometria, ou por medições seriadas do pico de fluxo expiratório (PFE) e testes antes e após o uso de broncodilatadores. O diagnóstico deve considerar a natureza e o padrão dos sintomas respiratórios, histórico clínico, exposições ambientais e ocupacionais, e pode ser complementado por testes de sensibilização alérgica e exames de imagem em casos específicos.
A classificação e os fenótipos incluem a asma alérgica que tem início geralmente na infância, associada a histórico pessoal ou familiar de alergias, com inflamação eosinofílica e boa resposta a corticoides inalados. A asma não alérgica não tem relação com mecanismos alérgicos, com padrão inflamatório variado e resposta limitada a corticoides.
A asma com predominância de tosse crônica como principal sintoma, podendo evoluir para sibilância. A asma de início tardio é mais comum em adultos, especialmente mulheres, com resposta limitada a corticoides.
A asma com limitação persistente do fluxo aéreo pode ocorrer em asma de longa duração devido a remodelamento brônquico. A asma associada à obesidade tem sintomas intensos com padrão inflamatório distinto, geralmente com baixa eosinofilia.
O MS-PCDT: Asma - Portaria Conjunta SAES-SCTIE Nº 43 garante que a basma é uma doença respiratória crônica, heterogênea e complexa. É caracterizada por inflamação das vias aéreas, que desempenha papel central em sua patogênese, e por sintomas respiratórios recorrentes, como sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse, que variam em intensidade e flutuam ao longo do tempo.
Esses sintomas estão associados a um fluxo aéreo expiratório variável, que pode se tornar persistente. A doença também envolve hiperresponsividade brônquica, que contribui para os sintomas, embora essa não seja essencial para o diagnóstico.
A exemplo do cenário global, a asma configura-se como um relevante problema de saúde pública no Brasil. De acordo com dados recentes, o país ocupa a quinta posição em prevalência de asma entre adultos (4,6% da população) na América do Sul, mas sobe para a segunda posição quando se consideram os casos em crianças (12,1% da população).
Na última década, tem-se observado uma tendência de redução nas hospitalizações por asma no país. Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) indicam uma queda no número anual de internações no SUS, de 134.222 em 2013 para 87.707 em 2023, com tempo médio de permanência hospitalar em torno de 3 dias ao longo do período analisado.
Em 2020, observou-se um declínio acentuado nas hospitalizações, possivelmente relacionado à pandemia. No entanto, em 2023, os números retornaram ao padrão do período pré-pandêmico.
Esses dados sugerem que, apesar da tendência de queda nas hospitalizações, a asma ainda representa uma carga significativa para o sistema de saúde e para a sociedade. A mortalidade por asma no Brasil apresentou uma prevalência média de 1,16 casos por 100.000 habitantes/ano, no período de 2014 a 2021, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
A maior proporção de óbitos ocorreu entre mulheres (64%) e em pessoas com 60 anos ou mais. Já crianças e adolescentes (<18 anos) representaram 2% dos óbitos, com tendência estável no período.
Há ainda que se considerar uma notável heterogeneidade no cenário epidemiológico entre as regiões do Brasil, associada à variabilidade da situação socioeconômico. Esses dados revelam que a mortalidade por asma no Brasil continua alta, com uma média de 6 mortes por asma/dia
Apesar dos avanços terapêuticos, o controle da asma ainda enfrenta múltiplos desafios. Barreiras relacionadas à adesão inadequada ao tratamento, uso incorreto dos dispositivos inalatórios e dificuldade de percepção da gravidade da doença são comuns.
Fatores ambientais, como poluição e exposição ocupacional, também contribuem para descompensações, assim como aspectos psicossociais. Pacientes com asma grave apresentam maior morbimortalidade e são responsáveis pela maior parte da utilização dos recursos em saúde relacionados à doença.
Neste contexto, o papel da equipe de saúde é fundamental ao compartilhar com o paciente os objetivos e a importância da terapia. Evidências nacionais demonstram que intervenções em centros de referência, com acompanhamento especializado e oferta de medicamentos, melhoram o controle da asma e reduz significativamente os custos para as famílias e para o SUS.
O principal objetivo do tratamento da asma é alcançar o controle da doença. O conceito de controle da asma compreende dois aspectos distintos: o controle das limitações clínicas atuais e a redução de riscos futuros.
O primeiro compreende poucos ou nenhum sintoma de asma, ausência de distúrbios do sono devido à asma e ausência de limitação em atividades físicas. Já o segundo contempla nenhuma exacerbação, função pulmonar ideal estável ou melhorada, ausência da necessidade de corticoides sistêmicos contínuos, ausência de eventos adversos dos medicamentos.
Espera-se, ao atingir este objetivo, alcançar os melhores desfechos possíveis de longo prazo para o paciente. Com base nesses parâmetros, a asma pode ser classificada em controlada, parcialmente controlada e não controlada, cuja avaliação, em geral, é feita em relação às últimas quatro semanas.