Os problemas clínicos da bronquite
Redação
A bronquite corresponde a um processo de inflamação das principais vias aéreas dos pulmões (os brônquios) provocando o seu estreitamento, dificultando a respiração e originando sintomas como a tosse. Este processo pode ser agudo ou crónico: a bronquite aguda acontece durante um curto período de tempo e, na crónica, os sintomas ocorrem durante a maioria dos dias do mês, ao longo de pelo menos três meses e em dois anos consecutivos.

A bronquite é a inflamação dos brônquios, que são as principais vias aéreas que conduzem o ar aos pulmões. Pode ser aguda ou crônica, com causas e características distintas.
A aguda é geralmente causada por infecção viral, frequentemente após um resfriado ou gripe. Sintomas incluem tosse com produção de muco (que pode ser claro ou amarelado), desconforto no peito, fadiga, febre baixa, falta de ar que piora com atividade e sibilos em pessoas com asma.
A tosse pode persistir por 1 a 4 semanas após a resolução da bronquite. Pode ser difícil diferenciar da pneumonia, que costuma apresentar febre alta, calafrios e maior comprometimento respiratório.
A bronquite crônica é definida pela presença de tosse produtiva na maior parte dos dias por pelo menos 3 meses. Frequentemente causada por irritação prolongada das vias aéreas, como exposição ao fumo de cigarro, poeira ou produtos químicos.
Caracteriza-se por inflamação crônica da mucosa brônquica, levando a sintomas como tosse crônica, produção de muco, dispneia e sibilos. está associada à doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que inclui bronquite crônica e enfisema. Pode haver remodelamento das paredes brônquicas e broncospasmo.
Na bronquite aguda, o quadro clínico pode se repetir, especialmente em crianças, e pode haver associação com alergia, configurando asma brônquica. A bronquite crônica está associada a sintomas persistentes e à redução progressiva da função pulmonar.
A ausculta pulmonar pode revelar sibilos, roncos ou estertores grossos, que podem mudar após a tosse. Exames complementares como radiografia e tomografia de tórax podem ser necessários para avaliar alterações estruturais e excluir outras causas.
A investigação clínica detalhada é fundamental para diferenciar bronquite de outras causas de tosse e dispneia. O tratamento da bronquite aguda é geralmente sintomático, com controle da tosse e suporte.
Na bronquite crônica, o manejo inclui evitar exposição a irritantes, uso de broncodilatadores (beta-agonistas de curta e longa duração), corticosteroides inalatórios e, em casos específicos, outros medicamentos como roflumilaste e macrolídeos para prevenção de exacerbações. A teofilina pode ser usada como broncodilatador e possui ação anti-inflamatória e imunomodulatória, indicada para bronquite, asma e DPOC, com cuidados em populações específicas.
Conforme o MS-PCDT: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição pulmonar caracterizada pela presença de sintomas respiratórios crônicos, não totalmente reversíveis, associada a uma resposta inflamatória anormal, geralmente causada por inalação significativa de partículas ou gases nocivos, e influenciada por fatores individuais. Do ponto de vista fisiopatológico, a obstrução crônica ao fluxo de ar ocorre devido a alterações nas vias respiratórias (como bronquite e bronquiolite) e/ou nos alvéolos (como no enfisema), com impacto variável entre os indivíduos.
A DPOC resulta da interação entre predisposição genética e exposições nocivas ao longo da vida, comprometendo a função pulmonar de forma persistente e progressiva. O tabagismo é o principal fator desencadeante, seguido pela exposição a poluentes ambientais e ocupacionais.
Além disso, fatores individuais, como alterações no desenvolvimento pulmonar e envelhecimento precoce dos pulmões, também podem influenciar o surgimento e a progressão da doença. Os sintomas têm início insidioso e se tornam mais frequentes e intensos com o tempo, com episódios de exacerbações que podem durar alguns dias.
Tosse crônica, expectoração e dispneia progressiva são os achados mais comuns. Inicialmente, a limitação ao fluxo aéreo pode ser leve e percebida apenas durante grandes esforços, mas com a progressão, a incapacidade respiratória torna-se evidente mesmo em atividades rotineiras.
Nos estágios mais avançados, a DPOC compromete significativamente a qualidade de vida devido a exacerbações mais frequentes e graves, além da incapacidade funcional associada à insuficiência respiratória crônica. Fadiga, perda de peso, redução da massa muscular e caquexia também são comuns em casos graves, devido ao quadro inflamatório sistêmico.
A morbimortalidade por DPOC continua sendo um desafio significativo no Brasil, é a quinta causa de morte entre todas as idades. Nas últimas décadas, também foi a quinta maior causa de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) entre pacientes com mais de 40 anos, apesar da redução da taxa de mortalidade padronizada em 25,8% entre 2000 e 2019 e do aumento da idade média ao óbito de 73,2 para 76,0 anos.
No período, foram registrados 1.132.968 óbitos, representando 5,0% da mortalidade proporcional total de todos os óbitos registrados, sendo 67,6% como causa básica e 32,4% como associada. As principais causas básicas foram doenças respiratórias, enquanto insuficiência respiratória, pneumonia e septicemia se destacaram entre as causas associadas.
A mortalidade foi maior durante o inverno, especialmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, evidenciando a necessidade de estratégias preventivas mais eficazes. A prevalência no país também apresentou uma redução de 13% nas últimas décadas, passando de 9.226,7 casos por 100.000 habitantes em 1990, para 8.025,3 casos por 100.000 habitantes em 2017.
Nos anos analisados, a prevalência foi maior em mulheres do que em homens. Anteriormente, o estudo PLATINO revelava uma prevalência de DPOC com taxas mais altas entre homens, idosos, tabagistas e pessoas com baixa escolaridade e maior exposição ocupacional a poeira.
Na população acima de 40 anos na região metropolitana de São Paulo, a prevalência foi de 15,8%, sendo maior entre os homens (18,0%) do que entre as mulheres (14,0%). Apesar da alta prevalência, a subnotificação da DPOC permanece elevada. No seguimento de nove anos do estudo PLATINO, verificou-se que 70% dos novos casos de DPOC não receberam diagnóstico médico, embora houvesse redução de 17,5% na taxa de subdiagnóstico em relação à fase inicial do estudo.