O que caracteriza o lúpus eritematoso sistêmico
Redação
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada pela produção de autoanticorpos, formação e deposição de imunocomplexos, com consequente inflamação em diversos órgãos, que pode resultar em dano tecidual e disfunção de órgãos.

Essa é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada pela produção de autoanticorpos e formação e deposição de imunocomplexos, com inflamação e possível dano tecidual e disfunção de múltiplos órgãos. A evolução costuma ser crônica, com períodos de exacerbação e remissão.
Recomenda-se evitar exposição solar e utilizar fotoproteção com ação contra UV-A e UV-B, resistente à água e com FPS mínimo 30, além de medidas físicas como roupas, chapéus e sombrinhas. Lesões isoladas podem ser tratadas com glicocorticoide tópico; manifestações disseminadas podem exigir glicocorticoide sistêmico associado a imunossupressor.
Gestação
O melhor prognóstico materno-fetal ocorre quando a doença está em remissão há pelo menos seis meses antes da concepção. Há maior risco de complicações obstétricas e exacerbação, especialmente no puerpério. Durante a gestação, o protocolo descreve o uso de glicocorticoides e antimaláricos; imunossupressores geralmente são contraindicados, embora azatioprina ou ciclosporina possam ser consideradas em casos excepcionais de maior gravidade.
O acompanhamento deve ser programado conforme a evolução clínica e o monitoramento do tratamento. O protocolo recomenda que pacientes com LES sejam acompanhados em serviços especializados em reumatologia.
Segundo o MS-PCDT: Lúpus Eritematoso Sistêmico, sua etiologia permanece pouco conhecida, porém sabe-se da importante participação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e imunológicos para o surgimento da doença. As manifestações clínicas são polimórficas e a evolução costuma ser crônica, com períodos de exacerbação e remissão.
A doença pode cursar com sintomas constitucionais, artrite, serosite, nefrite, vasculite, miosite, manifestações mucocutâneas, hemocitopenias imunológicas, diversos quadros neuropsiquiátricos, hiperatividade reticuloendotelial e pneumonite. O LES afeta mais as mulheres, sendo 9 a 10 vezes mais frequente em mulheres durante a idade reprodutiva.
A incidência estimada em diferentes locais do mundo é de aproximadamente 1 a 22 casos para cada 100.000 pessoas por ano, e a prevalência pode variar de 7 a 160 casos para cada 100.000 pessoas. No Brasil, estima-se uma incidência de LES em torno de 8,7 casos para cada 100.000 pessoas por ano, de acordo com um estudo epidemiológico realizado na região Nordeste.
A mortalidade dos pacientes com LES é cerca de 3 a 5 vezes maior que a da população geral e está relacionada à atividade inflamatória da doença, especialmente quando há acometimento renal e do sistema nervoso central (SNC), à maior risco de infecções graves decorrentes da imunossupressão e, tardiamente, às complicações da própria doença e do tratamento, sendo a doença cardiovascular um dos mais importantes fatores de morbidade e mortalidade dos pacientes. A fadiga é uma das queixas mais prevalentes do LES em atividade.
Febre, geralmente moderada e com resposta rápida ao glicocorticoide, é verificada na maioria dos pacientes no momento do diagnóstico. Mialgias, perda de peso e linfadenomegalia reacional periférica podem ser comumente encontradas nos pacientes com LES.
O acometimento articular é a manifestação mais frequente, depois dos sintomas constitucionais, sendo detectado em mais de 90% dos pacientes durante a evolução da doença, manifestando-se, principalmente, por poliartrite ou poliartralgia simétrica e aditiva. Raramente, evolui com erosões e deformidades ósseas. Pode ocorrer necrose asséptica de múltiplas articulações, principalmente da cabeça do fêmur, particularmente nos pacientes em uso de glicocorticoide em dose elevada por longos períodos.