Os problemas médicos causados pela distonia respiratória
Redação
A distonia respiratória ou disfunção das cordas vocais é uma doença com um mecanismo semelhante à disfonia espasmódica, mas em que as cordas vocais durante a respiração se aproximam fazendo um movimento inverso ao desejado, dificultando a entrada do ar: em vez de se abrirem quando se inspira e expira, fecham-se, dificultando a entrada e saída de ar na via área superior.

O MS-PCDT: Distonias e Espasmo Hemifacial explica que a distonia é um distúrbio do movimento caracterizado por contrações musculares sustentadas ou intermitentes que produzem movimentos anormais, posturas anormais ou ambos. Os movimentos são tipicamente estereotipados, em torção, podendo ser tremulantes.
A distonia é com frequência iniciada ou exacerbada por movimento ou postura e associada a transbordamento da ativação muscular. As distonias são classificadas, segundo a Movement Disorders Society, em dois eixos, baseados nas características clínicas (Eixo 1) e na etiologia (Eixo 2).
O principal objetivo dessa classificação é facilitar o reconhecimento clínico, o diagnóstico e, por consequência, uma escolha terapêutica adequada. A incidência das formas focais de distonia é estimada em dois novos casos por milhão de habitantes por ano, resultando em uma prevalência de 29,5 casos por 100.000 habitantes.
Esses números são maiores do que de outras doenças neurológicas bem conhecidas, como doença do neurônio motor, miastenia grave ou doença de Huntington. O tratamento das distonias é essencialmente sintomático e se baseia no alívio das contrações musculares, revertendo os movimentos e as posturas anormais e a dor associada e prevenindo contraturas e deformidades.
A toxina botulínica tipo A (TBA) representa uma opção reconhecida para esse tratamento, sendo considerada o tratamento de escolha na maioria das distonias. O espasmo hemifacial é definido como uma condição na qual ocorrem contrações involuntárias clônicas irregulares ou movimentos tônicos dos músculos inervados pelo sétimo nervo craniano ipsilateral.
Os espasmos geralmente começam como "espasmos" da pálpebra inferior, seguidos pelo acometimento periorbital e dos músculos faciais, periorais e platisma. Essa condição, muitas vezes, leva ao constrangimento social e interfere na visão por fechamento involuntário dos olhos.
Embora o espasmo hemifacial seja, muitas vezes, atribuído a uma compressão vascular do nervo facial ipsilateral, outras etiologias devem ser consideradas no diagnóstico diferencial, visto que esse espasmo pode ser confundido com outros distúrbios do movimento, como blefaroespasmo, miocimia facial, tiques, distonia oromandibular e espasmo hemimastigatório. O diagnóstico sindrômico das distonias é baseado nos achados clínicos.
Em algumas situações específicas, o diagnóstico depende da realização de um exame confirmatório. Esse é o caso das distonias laríngeas, quando a realização da videolaringoscopia é necessária para diagnóstico e aplicação de toxina botulínica.
A investigação de um diagnóstico etiológico deve ser sempre perseguida, com o intuito de proporcionar um tratamento mais adequado aos pacientes com distonia. No entanto, a maior parte das distonias focais será de etiologia idiopática.
As características clínicas que constituem os critérios diagnósticos para as distonias focais passíveis de tratamento com toxina botulínica. A distonia laríngea é uma forma de distonia focal que compromete músculos das pregas vocais, laringe e faringe envolvidos na vocalização.
Pode associar-se à distonia de outros músculos faciais e apresenta formas: adução exagerada e irregular da prega vocal, com voz cansada, metálica, áspera, tensa/estrangulada ou sufocada, frequentemente entrecortada por quebras curtas na fonação. O trecho recuperado apenas identifica essa forma, sem detalhar suas manifestações.
Antes da indicação de injeção de toxina botulínica tipo A, o diagnóstico deve ser confirmado por avaliação neurológica e otorrinolaringológica, com documentação dos achados por videolaringoscopia. A aplicação deve ser realizada por ou com acompanhamento de otorrinolaringologista.
Na disfonia espasmódica adutora, o músculo tireoaritenoideo deve ser localizado; o protocolo informa aplicação percutânea através da membrana cricotireóidea, com dose recomendada de 4–10 U de TBA-1 por aplicação, conforme a gravidade. A melhora vocal pode iniciar em 24–72 horas e durar aproximadamente 4 meses.
Outra condição que pode ser confundida com um quadro respiratório distônico é a obstrução laríngea induzida, caracterizada por movimentos episódicos e involuntários de adução das pregas vocais, mais frequentemente durante a inspiração, embora também possam ocorrer na expiração. A espirometria pode mostrar achatamento da curva inspiratória.
A visualização direta da adução das pregas vocais durante a inspiração e/ou expiração, por laringoscopia, confirma a suspeita. Pode ocorrer concomitantemente à asma ou constituir diagnóstico diferencial.
Em qualquer apresentação com dispneia, o material ressalta a importância de avaliar frequência respiratória, uso de musculatura acessória, tiragem, cianose, respiração paradoxal, alteração do nível de consciência e progressão do quadro. Frequência respiratória superior a 24 incursões/minuto ou inferior a 8 incursões/minuto é considerada anormal no contexto de insuficiência respiratória.