As causas médicas da espondilite anquilosante
Redação
A espondilite anquilosante é uma doença crônica na qual a coluna vertebral e outras áreas do corpo ficam inflamadas.

A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica do grupo das espondiloartrites, com acometimento predominante da coluna vertebral e possível evolução para rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Pode apresentar manifestações axiais — especialmente lombalgia inflamatória — e periféricas, como artrite, entesite e dactilite.
A lombalgia inflamatória costuma apresentar: início insidioso; início antes dos 40 anos; dor predominantemente noturna; ausência de melhora com repouso; melhora com exercícios; e duração de pelo menos 3 meses. Também podem ocorrer: uveíte anterior aguda; insuficiência aórtica; distúrbios de condução cardíaca; fibrose dos lobos pulmonares superiores; compressão nervosa ou neurite; e nefropatia ou amiloidose renal secundária. A uveíte anterior aguda é descrita como a manifestação extraesquelética mais comum, podendo acometer até 40% dos pacientes.
Não existem critérios diagnósticos específicos para EA, mas critérios de classificação auxiliam na identificação dos pacientes. Os critérios ASAS permitem incluir pacientes sem dano estrutural radiográfico.
Os critérios modificados de Nova York são utilizados principalmente quando já existem alterações radiográficas. A radiografia pode ser normal nos estágios iniciais.
Nesses casos, sinais inflamatórios, como sacroiliíte, podem ser detectados por ressonância magnética, sendo possível a classificação como espondiloartrite axial não radiográfica. O tratamento deve combinar medidas não medicamentosas e medicamentosas.
O protocolo inclui: anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno e naproxeno; glicocorticoides em situações específicas; medicamentos modificadores do curso da doença, como sulfassalazina e metotrexato; medicamentos biológicos, incluindo adalimumabe, etanercepte, infliximabe, golimumabe, certolizumabe pegol e secuquinumabe. Os anti-inflamatórios não esteroidais são recomendados como primeira linha na espondiloartrite axial ativa.
A infiltração intra-articular das sacroilíacas pode proporcionar benefício de curto a médio prazo em pacientes com dor isolada nas sacroilíacas e resposta inadequada aos AINE. Doses elevadas de glicocorticoides não são recomendadas.
As reavaliações clínicas podem ser realizadas a cada 3 meses na doença ativa e anualmente na doença estável. Nos períodos de maior atividade, VHS e proteína C reativa podem ser avaliados a cada 1–3 meses; em menor atividade, a cada 3 meses.
Antes do início de medicamentos modificadores biológicos, recomenda-se investigar tuberculose ativa e infecção latente por Mycobacterium tuberculosis, incluindo avaliação clínica, radiografia de tórax e, conforme indicado, prova tuberculínica ou IGRA. Conforme descreve o MS-PCDT: Espondilite Ancilosante, a espondilite ancilosante ou anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica classificada no grupo das espondiloartrites que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esq ueleto axial. Assim, as formas mais iniciais de EA, nas quais o dano estrutural é menor ou inexistente, podem ser classificadas como espondiloartrites axiais. A EA envolve adultos jovens, com pico de incidência em ho mens dos 20 aos 30 anos, especialmente em portadores do antígeno HLA-B27, o que, no Brasil, representa cerca de 60% dos pacientes.
As manifestações clínicas da EA incluem sintomas axiais, como dor lombar inflamatória, e sintomas periféricos, como artrite, entesite e dactilite. O sintoma inicial costuma ser lombalgia, caracterizada por dor noturna, de início insidioso, que não melhora com repouso (mas melhora com exercícios).
Em estudo multicêntrico brasileiro, os pacientes que tiveram o início da espondiloartrite (incluindo EA) antes dos 40 anos, apresentavam predomínio de sintomas axiais; os pacientes, predominantemente do sexo feminino, com início de sintomas mais tardio apresentavam sintomas periféricos. Além disso, podem ocorrer manifestações extra-articulares, tais como uveíte anterior aguda (UAA), insuficiência aórtica, distúrbios de condução cardíacos, fibrose de lobos pulmonares superiores, compressão nervosa ou neurite, nefropatia ou amiloidose renal secundária.
Das manifestações extra-articulares, a UAA é a manifestação extraesquelética mais comum, acometendo até 40% dos pacientes, especialmente os com HLA-B27 positivo. Dados observacionais de pacientes provenientes de 10 países ibero-americanos revelam que a UAA está associada, de forma positiva, a acometimento axial e presença de HLA-B27 e, de forma negativa, a acometimento periférico e artrite psoríaca.
Pacientes em estágios iniciais da EA apresentam sintomas clínicos da doença, porém geralmente não demonstram alterações estruturais em radiografias (RX). Em tais pacientes, sinais inflamatórios articulares, como sacroileíte, podem ser detectáveis em exame de ressonância magnética (RM). Consequentemente, foi proposto que a doença inicial e sem alteração no RX seja referida como espondiloartrite axial não radiográfica.