O cérebro em burnout não volta ao normal só com descanso ou com demissão
Redação
O Brasil bateu recorde de afastamentos por saúde mental e a neurociência já mostra que um cérebro em burnout não volta ao normal apenas com férias, descanso ou demissão. A sobrecarga crônica altera o funcionamento cerebral e o burnout precisa ser tratado de forma mais profunda.

Juliana Zellauy –
O Brasil bateu recorde histórico de afastamentos por saúde mental em 2025. Segundo o Ministério da Previdência Social, o total ultrapassou 546 mil neste ano. Já os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024.
Esses números são uma fotografia de um sofrimento coletivo que atravessa escritórios, fábricas e home offices. A explosão de casos revela uma verdade inconveniente que a neurociência expõe com clareza: um cérebro esgotado não volta ao normal apenas com descanso, nem se cura com um pedido de demissão.
A crença de que férias ou desligamento resolvem o problema ignora que o burnout altera a estrutura e o funcionamento cerebral de forma mensurável. Sob sobrecarga crônica, a amígdala, nosso centro de alarme, fica hiperativa, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo foco e tomada de decisão, perde eficiência.
O cérebro se remodela para o estado de alerta constante. Por isso, quem pede demissão exausto carrega o esgotamento para o próximo emprego, já que o circuito neural disfuncional não foi restabelecido.
A pausa é essencial, mas sozin...