Publicado em 07 jul 2026

O diagnóstico clínico da capsulite adesiva

Redação

Essa é uma enfermidade de origem incógnita, mais frequente nas mulheres de meia idade, que se manifesta por uma dor predominantemente noturna que perturba o sono e por uma restrição progressiva da mobilidade do ombro. A capsulite adesiva ou ombro congelado é uma doença de causa desconhecida.

A capsulite adesiva (CA), também conhecida como ombro congelado, é uma condição inflamatória que afeta a cápsula articular do ombro, levando a dor e restrição dos movimentos. Um estudo citado avaliou o tratamento da capsulite adesiva do ombro com duração inferior a 1 ano em 93 pacientes distribuídos em quatro grupos:

Grupo 1: Triancinolona hexacetonida (TH) 40 mg intra-articular (IA) + 12 sessões de fisioterapia

Grupo 2: TH 40 mg IA isoladamente

Grupo 3: Salina IA + fisioterapia

Grupo 4: Salina IA isoladamente (placebo)

A variável principal foi a melhora no escore Shoulder Pain and Disability Index (SPADI) em 6 semanas, 3, 6 e 12 meses. Em 6 semanas e 3 meses, os grupos que receberam TH (com ou sem fisioterapia) apresentaram melhora significativa no SPADI em comparação aos grupos controle (salina) (Carette S et al. Arthritis Rheum. 2003 Mar;48(3):829-38).

Além disso, a triancinolona hexacetonida demonstrou melhores resultados em comparação à administração sistêmica intramuscular em pacientes com artrite reumatoide, com menor número de eventos adversos. Portanto, o tratamento da capsulite adesiva pode incluir injeções intra-articulares de corticosteroides como a triancinolona hexacetonida, associadas ou não à fisioterapia, para alívio da dor e melhora da função articular.

É a única causadora de rigidez dolorosa do ombro, que pode também estar presente em outros processos patológicos que lesam as estruturas que compõem seu complexo mecanismo articular. Essas alterações limitam a mobilidade do ombro, pela dor que provocam, e dão origem a contraturas musculares e retrações miotendíneas secundárias, sem que haja, contudo, retração fibrosa da cápsula articular, que continua com sua capacidade volumétrica e seus recessos normais.

É o que pode acontecer, por exemplo, nas bursites subacromiais, nas lesões do manguito do rotador, nas tendinites calcárias, nas tenossinovites da cabeça longa do bíceps, na osteoartrose glenoumeral, etc. Nesses casos, o bloqueio anestésico das estruturas comprometidas alivia a dor e permite a movimentação passiva do ombro.

Dessa forma, nem sempre apenas o grau de limitação do movimento articular observado no exame clínico de ombros dolorosos é parâmetro suficiente, como pensam alguns(8-10), para que se possa firmar com segurança o diagnóstico de CA, uma vez que podem ser erroneamente considerados "congelados" ombros que realmente não o são. A descrição das alterações articulares progressivas da CA em quatro estádios característicos(11) esclarece a evolução do processo.

No estágio I chamado pré-adesivo, há reação inflamatória sinovial; no estágio II, chamado sinovite adesiva aguda, há sinovite proliferativa e início do colabamento das paredes dos recessos articulares e aderências da cápsula na cabeça do úmero; no estágio III, chamado maturação, há regressão da sinovite e franco colabamento do recesso axilar.

No estágio IV, chamado crônico, as aderências estão maduras e, retraídas, restringem fortemente os movimentos da cabeça do úmero em relação à glenóide. Nos estágios II, III e IV os espaços entre as superfícies articulares da glenóide e do úmero e o espaço entre o bíceps e o úmero estão muito reduzidos.

Dessa forma, ainda que a denominação ombro congelado continue sendo utilizada, a capsulite adesiva deve ser preferida, por melhor definir essa peculiar condição clínica da articulação glenoumeral, caracterizada por dor, rigidez articular fibrosa de origem capsular, de início insidioso, muitas vezes relacionada a períodos de desuso do ombro, de evolução arrastada, associada ou não a outras doenças e que, em muitos casos, pode evoluir espontaneamente para cura.

Artigo atualizado em 23/06/2026 10:14.
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